A campanha “Eu não sou de plástico” criada pela prefeitura de São Paulo foi criada com o “objetivo de convidar as pessoas a minimizar o consumo de sacolas e sacos plásticos descartáveis, adotando material permanente e degradável, poupando o meio ambiente“.
O 1o passo foi dado no ano passado, com a exposição de bolsas criadas por 110 estilistas, e com a adesão de diversos orgãos ao projeto. O passo maior viria a seguir, com a tentativa de aprovação de uma legislação específica para o tema. Infelizmente, o projeto de lei foi vetado e a solução ainda não veio…
Enquanto isso, temos que depender das poucas iniciativas privadas que se posicionam a favor do meio-ambiente. Banco Real, Goóc e HSBC, apenas para citar algumas, têm feito a sua parte…
Pão de Açúcar: à venda nos supermercados da rede e no site, a 4 reais.
Vale lembrar que preço não é uma desculpa, pois caso a sua mãe não tenha a velha e boa sacola de feira, você pode carregar a sua mochila mesmo, ou fazer a sua própria sacola retornável ecologicamente correta.
Você vai ao supermercado fazer as suas comprinhas. Quantas sacolas você usa? Se for uma compra pra uma semana, talvez 5. Então multiplique por 2, porque aposto que você não confia no plástico do saquinho e usa um dentro do outro.
E talvez depois você pare pra comprar mais alguma besteirinha, e não importa o tamanho da besteirinha, você sempre ganha uma sacola plástica de brinde. Pode ser um cd, uma bolacha, um brinco… quando você vê, já formou aquela montanha de sacolinhas de plástico em casa. Algumas delas ficam no lixo da cozinha, do banheiro, do quarto… mas e o resto?
Agora imagine uma outra cena. Você carregando uma sacola retornável. Essas de pano ou de feira, das antigas. E se você colocasse todas as suas compras dentro de uma ou duas sacolas dessas. E se toda vez que você saísse de casa, você carregasse uma sacola dessas? Dentro do carro, da sua bolsa…
Talvez um pequeno gesto como esse não mude muita coisa. Mas é a partir de uma mudança que se cria uma nova atitude. E é a partir daí que surgem novas cabeças pra espalhar a idéia, novas vozes pra exigir uma mudança, novas mãos pra construir um novo mundo…
“O compromisso é transformar ameaças globais em oportunidades de negócios, buscar soluções mais adequadas que atinjam metas de crescimento econômico e o desafio é que, além de eco-eficientes, sejam mais baratos, para atender também clientes de menor poder aquisitivo.”
(Christian Ullmann em Sustentabilidade – Um Fator Competitivo)
Lá no mundo desenvolvido, onde a conversa sobre sustentabilidade já está muito mais avançada, estão pipocando projetos social e ambientalmente conscientes.
A Three Trees Don’t Make a Forest é formada por 3 designers que se juntaram pra ajudar o design e a publicidade a repensar o consumo e criar novas formas de ser sustentável. Uma delas têm até um site bem bacana que dá dicas muito úteis de como ser um designer ecologicamente correto, desde a escolha do papel até as especificações de impressão.
O Design Can Change é outra organização que também fala sobre o poder do designer na toma de decisões e no seu papel fundamental na mudança para um mercado mais consciente e ensina o que ele pode fazer para contribuir.
E seguem aqui alguns trabalhos feitos por algumas agências que fizeram belíssimos pensando no impacto ambiental:
Diante da tragédia vivida pelo meio-ambiente, muitos governos apoiados pela população tomaram uma atitude e baniram a distribuição das sacolas plásticas ou passaram a incluir uma taxa para isso.
A Irlanda foi uma das primeiras, quando em 2002 decidiu cobrar uma taxa de 22% sobre cada sacola plástica, levendo a uma redução de 95%em seu uso. Outros 23 países no mundo todo, decidiram banir, taxar ou restringir o seu uso. O caso mais recente foi o do maior país do mundo. Na China, será proibido oferecer sacolas plásticasde graça a partir de junho. A população será encorajada a utilizar bolsas de pano ou cestas para carregarem suas compras.
Já estava na hora. Estima-se que 1,3 bilhão de chineses utilizam 3 bilhões de sacolas por dia (um americano levaria um ano para usar o que um chinês usa em duas semanas)! Assim, só podemos comemorar a iniciativa e torcer para que essas iniciativas se espalhem.
De acordo com a Algalita Marine Research Foundation, o mundo produz hoje 200 milhões de toneladas de plástico ao ano e apenas 3.5% disso tudo é reciclado. Considerando que ele começou a ser produzido em longa escala a partir da década de 50, são verdadeiros oceanos de petróleo poluindo aterros, ruas, praias e ilhas até hoje, já que ele demora no mínimo 400 anos para se decompor.
Mas além do evidente problema estético, quais são os verdadeiros malefícios de estarmos vivendo em um mundo quase totalmente plástico?
Nos lixões
O plástico é feito a partir de resinas (polímeros), geralmente sintéticas e derivadas de petróleo. Depositados em aterros, eles criam camadas impermeáveis que prejudicam o processo de decomposição de materiais biologicamente degradáveis e na compactação de outros detritos. O seu processo de degração que demora séculos ainda o converte em gás carbônico, que aumenta o aquecimento global.
Terrorismo a parte, um fato inegável é o dano causado pelo plástico nadando nos mares e oceanos do planeta. Estima-se que 50% de todo o lixo marinho é feito de plástico varrido pelo vento ou pela chuva das cidades para o mar. Em locais inóspitos como no norte do Oceano Pacífico, o que se vê são milhas e milhas de tecido artificial (seis vezes a quantidade de plâncton ) que ainda ficarão por lá até as próximas gerações, poluindo a água e matando os seres marinhos…
“O Brasil é definitivamente o paraíso dos sacos plásticos. Todos os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanho do produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embalado num saquinho plástico.“
“No caso específico das sacolas de supermercado, por exemplo, a matéria-prima é o plástico filme, produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que já representa 9,7% de todo o lixo do país. Abandonados em vazadouros, esses sacos plásticos impedem a passagem da água – retardando a decomposição dos materiais biodegradáveis – e dificultam a compactação dos detritos.“
“Em toda a Grã-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a atenção dos consumidores com uma campanha original e ecológica: todas as lojas da rede terão seus produtos embalados em sacos plásticos 100% biodegradáveis. Até dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na rede serão feitos de um material que, segundo testes em laboratório, se decompõe dezoito meses depois de descartados. Com um detalhe interessante: se por acaso não houver contato com a água, o plástico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza.”
No Brasil, mais de um bilhão de sacos plásticos são distribuídos pelos supermercados mensalmente. São 66 sacos plásticos para cada brasileiro por mês. No Reino Unido, são 14. E isso porque eles não adotaram a política de banir a distribuição delas como em muitos outros países.
Considerando que em São Paulo, 18% do lixo é de sacos plásticos e apenas 1% disso é reciclado, segundo a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, começo a imaginar pra onde isso tudo vai…
Em Porto Alegre, lançaram uma campanha que incentiva as empresas a comprar lotes de sacolas de algodão orgânico personalizadas com suas marcas. Cada uma vai custar R$ 12 – o equivalente ao preço de 100 sacolas plásticas (impressas), mas considerando que uma sacola ecológica pode durar até 3 anos, são mais de 9500 sacolinhas a menos por pessoa!
Segundo a revista New Scientist, um material plástico pode demorar de 400 a 1000 anos para se decompor. Enquanto isso, ele vai eliminando partículas tóxicas e contaminando solos, fontes de água e oceanos.
Se ele for para o mar, tem grandes chances de causar danos a baleias, focas, golfinhos e até tartarugas. Estima-se que mais de 100 mil espécies morreram sufocadas ou sofreram severos danos ao ingerir restos de material plástico que achavam ser comida. Mesmo após a morte do animal, o plástico pode continuar causando danos, pois com a decomposição do corpo do ser vivo, o material é devolvido ao oceano. Pesquisadores alemães chegaram a encontrar 1.603 pedaços de plástico dentro de um único animal, enquanto na França, foram encontrados 800 quilos de plástico no estômago de uma baleia morta.
Apesar do seu malefício, apenas 3,5% de todo o plástico produzido é reciclado. Cerca de metade desse plástico é utilizado para embalagens que são descartadas em menos de um ano. E grande parte desse montante é de sacolas plásticas. O mundo utiliza hoje cerca de 500 bilhões a 1.2 trilhões delas por ano. O que dá uma média de 25 sacos plásticos por pessoa ano mês.
Em muitos países, como Irlanda, Taiwan e Suiça, as sacolas plásticas já foram ou estão pra ser banidas ou o seu uso desencorajado com a cobrança de uma taxa. A lista já inclui países considerados subdesenvolvidos como Bangladesh e Ruanda. No Brasil, isso ainda parece um sonho distante. Mas essa é uma onda que vai ser impossível ignorar…